
Le Tableau des Merveilles é um entremez de Cervantes (séc. XVI), que Prévert reescreveu em 1935. Peça curta, crítica e cómica, de cariz popular, a meio caminho entre o humano e a marioneta, reconta a velha ideia de “o rei vai nu”. A história passa-se numa cidade imaginária, onde chegam uns saltimbancos e a criança-música que haviam raptado, prometendo mostrar maravilhas no seu retábulo – maravilhas essas só visíveis para quem tiver a consciência tranquila… Senhores importantes, mendigos, polícias, donzelas e don juans, todos jurando conseguir ver as tais maravilhas, são simultaneamente público e actores, até o teatro não se distinguir bem da “verdadeira realidade” e das suas convulsões.
Resumo do argumento
Os artistas chegam à cidade pelos caminhos escritos nos cata-ventos. Como é tradição, trazem uma criança raptada que toca música enquanto apresentam aos notáveis da terra o verdadeiro, o único, o singular, o deslumbrante, o admirável Retábulo das Maravilhas de que toda a gente culta já ouviu falar.
A música é atroz – faz-se a música que se pode. Roubaram a criança e com ela a sua música, e pelo preço que lhe pagam não podiam querer ouvir os grandes órgãos da felicidade celeste com os anjos todos babados mais o avó eterno em grande pândega.
A cidade é pequena mas cheia de pessoas felizes, pessoas sem história, que comem com regularidade e que se casam e, se há progresso na terra, é graças a eles, aos chefes. Também há mendigos que não pedem nada a ninguém a não ser esmola, e que no entanto dão mau aspecto. Mas a miséria é a mesma miséria em todo o lado e os artistas também não vivem só do ar dos tempos.
O espectáculo é apenas um lençol branco estendido entre duas estacas. As maravilhosas maravilhas do maravilhoso Retábulo das Maravilhas não são visíveis para todos. É preciso vê-lo para crer nele, mas também é preciso crer nele para o ver – Sansão e o Templo que se Desmorona, Um Touro em Fúria, Os Ratos da Arca de Noé, Salomé, a Bailarina, Job na sua Imunda Miséria – a assistência empolga-se, o Retábulo é mais real do que a realidade e quando é dado o alerta já a revolução dos mendigos invade a sala.
Os artistas vão-se embora sorrindo e quem dança continua a dançar (que são todos excepto os inanimados).
Resumo do argumento
Os artistas chegam à cidade pelos caminhos escritos nos cata-ventos. Como é tradição, trazem uma criança raptada que toca música enquanto apresentam aos notáveis da terra o verdadeiro, o único, o singular, o deslumbrante, o admirável Retábulo das Maravilhas de que toda a gente culta já ouviu falar.
A música é atroz – faz-se a música que se pode. Roubaram a criança e com ela a sua música, e pelo preço que lhe pagam não podiam querer ouvir os grandes órgãos da felicidade celeste com os anjos todos babados mais o avó eterno em grande pândega.
A cidade é pequena mas cheia de pessoas felizes, pessoas sem história, que comem com regularidade e que se casam e, se há progresso na terra, é graças a eles, aos chefes. Também há mendigos que não pedem nada a ninguém a não ser esmola, e que no entanto dão mau aspecto. Mas a miséria é a mesma miséria em todo o lado e os artistas também não vivem só do ar dos tempos.
O espectáculo é apenas um lençol branco estendido entre duas estacas. As maravilhosas maravilhas do maravilhoso Retábulo das Maravilhas não são visíveis para todos. É preciso vê-lo para crer nele, mas também é preciso crer nele para o ver – Sansão e o Templo que se Desmorona, Um Touro em Fúria, Os Ratos da Arca de Noé, Salomé, a Bailarina, Job na sua Imunda Miséria – a assistência empolga-se, o Retábulo é mais real do que a realidade e quando é dado o alerta já a revolução dos mendigos invade a sala.
Os artistas vão-se embora sorrindo e quem dança continua a dançar (que são todos excepto os inanimados).
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